

A arte de Todd Schorr explora, portanto, a violência latente e por vezes patente da cultura popular, veiculada pelos media, sobretudo a que tem a ver com as imagens injectadas nos mais jovens e adolescentes, recontextualizando-a em cenários hiper-realistas e com óbvias referências à matriz judaico-cristã dessa mesma cultura. Neste sentido, trata-se quase de um trabalho de exorcismo e interpretação psicanalítica das dinâmicas do desejo que perpassam a cultura de massas. Este tipo de arte tem sido enquadrado num movimento artístico que recebeu o nome de Lowbrow ou Pop Surrealism. Na verdade, a Lowbrow art é precisamente aquela que se opõe à Highbrow art, ou seja, às belas artes, as mais conceituadas, as que são filtradas por um discurso de legitimação crítico e intelectualizado que a faz circular no mundo dos museus e da história da arte. Mas desde finais dos anos 70 que um grupo de artistas em Los Angeles, nomeadamente Robert Williams e Gary Panter, oriundos da cultura dos fanzines e banda desenhada underground, da cultura punk e de outras subculturas de rua, decidiram expor e promover uma arte mais popular e espontânea, afastada do discurso académico mas mais próxima do gosto dos consumidores. Outros artistas como Mark Ryden, Joe Coleman, Manuel Ocampo e Todd Schorr juntaram-se, de certo modo, a este movimento e têm vindo a ganhar uma maior visibilidade até que, por exemplo, no ano passado, o Museu de Arte San José, na Califórnia, organizou a primeira exposição individual do artista que veio da costa este mas que se estabilizou, desde finais de 90, no sul da Califórnia, onde vive e trabalha.

O psicadelismo das imagens de Schorr terá como origem a influência, reivindicada pelo próprio, dos posters de concertos e festivais de finais dos anos 60, executados por Victor Moscoso ou Rick Griffin, e das bandas desenhadas da revista Zap. Mas a referência à contra-cultura do oeste dos EUA é por exemplo óbvia em “Into the Valley of Finks and Weirdos” de 2002, onde aparecem monstros surfistas ou beatnicks tocadores de flauta navegando globos oculares alados. Porém, ainda que não houvesse estas referências biográficas e culturais à época dos ácidos, seria evidente para quem vê a natureza hipertrofiada das imagens fantásticas e metamórficas de Todd Schorr que há um efeito de manifestação lúcida da atormentada mente do autor, de tal modo que a tela é como que um doloroso e vibrante ecrã – pela sua intensidade - entre a meninge e o interior ósseo do seu crânio.
Como banda sonora para a experiência visual dos quadros de Schorr nada parece mais adequado do que a música de Carl Stalling, o famoso compositor dos desenhos animados da Warner Brothers.
Para mais informações sobre a vida e obra de Todd Schorr, ver aqui.
Sobre outros artistas Lowbrow e a cultura circundante, aqui.








O choque de culturas, concretizado no encontro dos dois músicos em 1966, verteu ondas de impacto que se espraiaram em todas as direcções. A popularidade de Shankar aumentou exponecialmente, chegando inclusivamente a actuar no mítico festival de Woodstock, e as experiências de fusão realizadas por Harrison facultaram um impulso indispensável ao estabelecimento do "Raga Rock", uma designação habitualmente utilizada para descrever álbuns rock com forte influência sul-asiática. O advento deste estilo musical é comummente traçado ao lançamento do single "See My Friends" dos The Kinks em Julho de 1965, sendo que a segunda grande referência cabe aos The Byrds e a "Eight Miles High", editado em Março de 1966.








A disseminação da cultura musical ocidental não ocorreu de forma homogénea, alterando-se a permeabilidade conforme os ditames políticos e religiosos dos diferentes países em apreço. Na Turquia, o grande consurso de bandas Altin Mikrofon, organizado pelo jornal Hürriyet, é notável, não só pela divulgação que proporcionou, mas também pelo conjunto de regras imposto aos participantes. Estes tinham de apresentar músicas em Turco ou reformular alguma melodia tradicional, mas eram igualmente encorajados a adoptar uma instrumentação e estilo de execução ocidentais. Importante será notar que de todas as subculturas musicais emergentes na década de 1960, o psicadelismo foi aquela que melhor recepção encontrou na Turquia. A veia de orientalismo que permeia parte substancial da produção musical psicadélica agradou a gregos e a troianos, aos conservadores arreigados à música tradicional que fazia parte integrante e fundamental desta fusão, e aos progressistas entusiasmados pelas inovações técnicas e estílisticas que esta fórmula igualmente comungava.


















